quinta-feira, março 27, 2008

Regresso... finalmente

Foi quase uma década de saudade. Ei-los de regresso. Finalmente. É o "Third" Portishead.
Imperdível? Não. OBRIGATÓRIO!!!

Quem cava... encontra

Aqui não se trata de paixão. Sim de amor eterno. E eis Nick ressuscitado - como Lázaro. De novo a grande nível.
Imperdível!!!

Lindos sapatos vermelhos

Estou Apaixonado!
Pela música.
Pelos sapatos. Vermelhos.
Pela Rita. Redshoes.

quarta-feira, março 19, 2008

Reflexão

Frase de reflexão, principalmente para muitos indefectíveis socialistas.
Está no Diário Econíomico de ontem, 18 Março, assinado por João Paulo Guerra, a partir de uma entrevista do "grande" e influente socialista Vitalino Canas:
"...o rótulo "socialista" em Portugal engloba as concepções de vida e de sociedade mais distantes dos ideais de solidariedade que inspiraram as doutrinas sociais."

terça-feira, março 11, 2008

Levantado do chão

A Câmara de Montemor tem um novo autocarro. E fez questão de informar toda gente disso, pois é preciso saber onde se gasta o dinheiro do povo e é preciso saber que o povo já pode andar de cu tremido.
O autocarro até está bem pintado. Mas a característica especial está na pintura da frente. XSe conseguirem ver, na dita pintura está a inscrição "Montemor-o-Novo levantado do chão".
Estranho? Talvez para alguns. A verdade é que a autarquia soube aproveitar bem o nome de um dos melhores romances do Nobel Saramago.
"Levantados do Chão" é um dos melhores livros do escritor. Crónica maior sobre o Alentejo depois da abrilada.
José Saramago esteve vários meses em Lavre inspirando-se em paisagens e pessoas.
Depois de receber o Nobel a primeira paragem em Portugal foi precisamente em Lavre. Aí almoçou e prestou homenagem aos "personagens" reais da sua história.
Foi lá que afirmou que "Levantados do Chão" foi decisivo na sua carreira. O princípio do Nobel. Um dos melhores romances que escreveu.
A autarquia de Montemor aproveita agora. Bem.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Calotes e fotocópias

Jaime Silva diz que Paulo Portas tem "calotes políticos" e "dívidas de explicações" aos portugueses.
Portas está muito ofendido. Quer processar o ministro da agricultura e até exige um comentário de Sócrates às afirmações de Silva.
As declarações de Silva vieram depois de Portas dizer que o Ministério da Agricultura pratica uma "política de calote".
Ana Gomes lá veio defender Jaime Silva.
E Portas... bem, Portas continua mudo e bem calado sobre as 60 mil fotocópias feitas no Ministério da Defesa.

terça-feira, novembro 13, 2007

Planeta dos lagartos en français

Interrompo estes quatro meses de silêncio para lançar aqui um blog. Já existe há mais de um ano, é escrito por um grande amigalhaço alentejano radicado em França há vários anos e com quem tive o privilégio de trabalhar noites imensas.
Transfigurado em Coeur de Lion, este amigo mostra no seu blog o pior da sua condição: ser do Sporting.
Mas para quem gostar daquela desgraça este é um grande blog, devida e dignamente actualizado - grafismo atractivo, de grande qualidade, mostrando as qualidades do grande gráfico e paginador agora chamado Coeur de Lion - com as novidades da agremiação sedeada nos fundos do Campo Grande.
Para mim irá funcionar como ponto fulcral das magníficas e intermináveis discussões de bola que sempre mantive com Coeur de Lion.
Com o mais afiado bico de águia fica o link: Planète Sporting Club de Portugal

terça-feira, julho 24, 2007

20 anos

Discutindo as agruras da vida com meia dúzia de camaradas, há dias, enquanto se esperava pelo presidente Cavaco, a conversa virou-se para os anos de profissão. Eles recordavam o primeiro dia. Quase todos sabiam a data concreta. O primeiro dia... Na rádio. No jornal. Os primeiros passos na Redacção. Eu não. Sabia o ano, não a data. Nunca liguei a datas. A minha pedra é desprovida de datas gravadas. Tal como esqueço o dia do meu próprio aniversário também nunca um amigo recebeu a surpresa de levar com as minhas felicitações em dia de anos. Não sei a data dos anos de ninguém. A dos meus filhos acabo por sabê-la devido à excitação nas semanas que antecedem o acto. De resto… zero. As datas são meros números. E números são fantasmas do passado.
Às vezes o passado tem surpresas.
Remexo em blocos antigos, onde sempre escrevi a vida ou rabisquei notas de reportagem. No meio de um canhenho mal amanhado, velho não só pelo tempo – já naquela altura devia ter mau aspecto – descubro uma folha, dobrada em quatro, caligrafia disforme – a minha.
Uma carta a uma namorada da época. Fantástico! O teor da carta, que não sei se seguiu (será aquele pedaço de papel mero rascunho, ou terá sido carta nunca enviada?), é totalmente desinteressante. Imberbe. Como o são os 18 anos.
Por entre patranhas ingénuas contadas a uma amada sem nome - embora saiba a quem se destinava – encontro uma data: 24 de Maio de 1987. Data inscrita na dita carta. Recorrendo ao calendário do telemóvel fico a saber tratar-se de um domingo.
O que tem isto de interessante? Pouco, é certo. Só que mais à frente escrevi à paixão da altura que me ia estrear aos microfones na quinta feira seguinte.
O que, para mim, apenas para mim, leva a uma brilhante descoberta: falei pela primeira vez aos microfones a 28 de Maio de 1987. Na altura – isso lembro-me bem, sempre o soube – falei sobre os Dire Straits. Até sei a frase primeira do meu texto. Como se agora mesmo o tivesse escrito: “numa época em que o supérfluo se sobrepõe ao essencial, os Dire Straits…” – mais não recordo.
Eu que sou mais de revoluções, sabendo disto agora, desta data, só me ocorre a interrogação: pode o meu estado durar tanto quanto o outro que fatidicamente se iniciou na mesma data, mas em 26?
Fica gravado. Não na pedra. Apenas neste blog de amores e humores ocasionais.

quinta-feira, julho 12, 2007

Estrela minha


Todas as noites me perco neste namoro.
Olho-a. Embevecido.
Platónico.
Podre de paixão.
Ela, irradia luz.
E abre um sorriso
(apenas para mim)
Não lhe sei o nome.
Mas amo-a.
É a estrela mais brilhante do meu céu.

Quero-a. Só para mim.
Ela insiste na companhia das outras.
Procuro demovê-la.
Revelo-lhe minha paixão
amor eterno.
Em vão.
Responde-me em sorriso.
A minha estrela.

quinta-feira, julho 05, 2007

Força Carlos!!!

O Gonçalo deixou esta mensagem:
Para o Carlos
Por vezes as palavras custam a sair. Os sentimentos perturbam e confundem. As perguntas surgem mas as respostas não saem. Falei contigo há minutos. E hoje trato-te por tu. Não disse tudo o que queria. Há-de vir o dia, meu amigo! Boa sorte para amanhã!GG

Fora de contexto, é difícil percebê-la. Meu Amigo, entendo-te bem. Percebo a tua preocupação e o embargo que silencia a tua voz.
O Carlos Júlio é forte. Não será um tumorzeco a derrotá-lo.
Não te esqueças, caro Gonçalo, que ele passou incólome às balas na Guiné. Nem preciso de te recordar do episódio de Prizren, no Kosovo, com os cinco mísseis disparados por caças americanos à sua coluna acabando por matar o seu motorista e tradutor.
O Carlos não só se safou como pôs a salvo alguns camaradas. Talvez não te lembres, mas a jornalista inglesa que ele retirou "debaixo" dos mísseis, na sua reportagem, descreveu-o quase como herói, afirmando que foi quem lhe salvou a vida.
Sem mais histórias. Sabes tão bem como eu que não é fácil torcê-lo. Tem sempre um último argumento para ficar por cima. Um último trunfo usado com mestria para nos "lerpar".
Assim será desta vez. Não duvides, caro Gonçalo.
O ano vai ser duro para ele. Nós, vamos estar aqui. A sofrer por fora. No final, riremos todos à volta de um tinto.
Um abraço

segunda-feira, julho 02, 2007

Quadros de uma exposição


Chama-se Partilhas.
Carlos Ferreira partilha connosco a sua arte. Mostra-nos o mundo das suas descobertas através da pintura. Mote de vida. Quadros impressivos. Cenas quotidianas. Ou simplesmente traços encontrados nos poemas. Na poesia da vida.
Carlos Ferreira é um poeta das cores.
Neste acrílico sobre tela, publicado em Março, questiona o mundo lá do sul. Do sul do sul. Uma África acompanhada pelas palavras de Agostinho Neto.
Momentos imperdíveis em cores vivas partilhados através do seu original blog.
A música, calma e encantadora, ajuda a percorrer os quadros.
Mussorgsky prestou homenagem ao amigo através da suite "Quadros de uma Exposição".
Assim presto eu homenagem ao amigo Carlos Ferreira.
Para que desfrutem dos quadros da sua exposição

Mundo da música


Às vezes temos a sensação de que nada acontece nesta pasmacenta cidade. Verdade?
Ora então, visitem o site que vos deixo e vejam a maravilha programada para os próximos dias. Com a chancela da Casa Cadaval. Com brasão real e tudo.

http://www.festivalevoraclassica.com/

E Viva a Música!!!

sexta-feira, junho 08, 2007

O que vês?



Sei que me olhas...

Aí. Ao longe.

Mas...

Porque não me vês?

Que medo tens?

Observo-te...

Olhando-me.

Contemplas...

Recusando ver!

segunda-feira, abril 30, 2007

Hoje não, Kapuściński

Obra do acaso, encalho pela manhã, num jornal espanhol, com Ryszard Kapuściński, o grande repórter, o maior do mundo, desaparecido em Janeiro. “Kapuchinsky escribió que para ser buen periodista primero hay que ser buena persona”. Sentença lapidar, repetida milhões de vezes, ouvimo-la ainda agora, no dia da sua morte.
Gostava de ser bom no jornalismo. Mas não me apetece, hoje, segunda feira, ser boa pessoa.
Fica para outro dia, grande mestre.

quinta-feira, abril 19, 2007

A Arte do povo

Momentos sublimes da Arte Maior:
Miguel Ângelo na Capela Sistina
Picasso na tragédia de Guernica
O tríptico de Bosch no Jardim das Delícias
A Sesta de van Gogh
(como se roubado à Planície do Alentejo)
Da Vinci e a Mona Lisa
Todas as mulheres de Miró
E as Papoilas de Monet

Instantes sublimes de uma Arte frugal:
Messi, igual a Maradona
Rasgando a relva
Pincel impregnado de inspiração
Cinco telas ultrapassadas
Quadro completo,
momento supremo
O orgasmo do golo

Escrever, escrever, escrever

Todos os dias recebo infos sobre os passeios no Largo. Coisa ingrata, chegar aqui, ver os textos bolorentos, sem actualizações.
"Escrever, escrever, escrever. É uma ideia que me martela a cabeça", diria o saudoso mestre Pedro Ferro. Ando empenhado noutras escritas. Daí os serões no Largo sairem prejudicados.
Agradeço as vossas visitas e os telefonemas, mas de momento ando noutra.
Apesar de tudo, não abandono os Almendres.
Aqui, o sol cai agora por detrás do cerro impregnado de sobreiros. O céu imenso, à noite carregado de estrelas, adornado ao som do regato entrecortado pelos cantos da passarada nocturna é fonte inspiratória. Não quero perdê-la.
Ando por aqui.

segunda-feira, março 12, 2007

Heróis da mudança


A crítica não tem sido macia para com os autores do documentário “Brava Dança” onde se mostram os caminhos trilhados desde os primórdios de 80 pela banda Heróis do Mar.
Não tive, ainda, oportunidade de ver o filme. Não vou perdê-lo.
Os Heróis do Mar são parte íntima do meu crescimento. Musical. Estético. Artístico. A primeira lufada de ar fresco verdadeiramente séria sentida pela primeira geração da Liberdade a que pertenço. O primeiro arrogo, pós Abril, de uma linha cultural, uma corrente de pensamento, filosofia de um futuro que tardava em despontar num Portugal ainda gravemente ferido, com memória na ditadura, limitado pelo PREC, em busca de um caminho direito rumo à democracia.

Na transição, os Heróis do Mar foram o verdadeiro processo revolucionário juntando à acutilância e inovação musical um espírito desempoeirado, assente numa estética visual que confrontou um país comezinho, brando e de bons costumes, com alguns dos seus traumas e que por isso se apressou a retirar conclusões precipitadas e aranjar estranhas – curiosas, até - conotações políticas à banda, impondo, inclusive, rótulos de teor nacionalista.
A partir dos Heróis do Mar nada mais foi igual. Nós, os gladiadores dos anos 80, passámos a ver neles uma referência. O enquadramento futuro. A bitola da qualidade.
Um concerto dos Heróis era um acto de puro espectáculo. Cénico. Estético. Musical. Era teatro. Representação de alto nível. Do guarda-roupa ao cenário. O êxtase chegou com o hino ao “Amor”, provavelmente o primeiro grande hit da pop em Portugal.

Talvez a falta destas imagens, para quem viu, viveu, sentiu, vibrou, com a brava dança dos Heróis, suscite críticas algo negativas ao documentário de José Pinheiro e Jorge Pires.
A moda agora é olhar para os eigthies como a década da criação, da revolução cultural, ideológica. Mudança radical dos costumes. Até dos usos.
Os Heróis do Mar simbolizam essa real alteração “climática” no país.

E o documentário, mesmo que o não traduza – na voz opinativa dos críticos – tem o mérito de cortar com a rotina e mostrar um formato muito pouco usual nas nossas salas de projecção. Só por si, marca a vitória do documentário.
E mostra que os Heróis do Mar podem ainda quebrar barreiras.

P.S. – Voltarei quando vir o doc

“O Assunto é…”




Subiu a passo largo os degraus azuis do Sanches de Miranda. Sentou-se a meu lado. Era dia de bola. Os seus olhos claros, brilhantes, já vinham de baixo dirigindo-me o longo e habitual cumprimento. Estendeu-me efusivamente a mão. Soltou um “brasileiro dum cabrão”, a única frase soada em português perfeito. Sem sotaque. Anos antes confessara-lhe ser esse o meu sentimento quando o via entrar estúdio adentro. E lhe dizia “fala devagar senão não te percebo”.



Nessa tarde de domingo, na bancada, antecedendo um qualquer jogo do Juventude, ofereceu-me um livro. O Seu livro. “Sua Excelência o Futebol, Excrecência”. Vinha autografado. Para mim. Um olhar profundo sobre a realidade do futebol mundial.


No raiar dos anos 90, crise de contratos, despedido de um clube qualquer, chegou à rádio. Sem qualquer experiência. Fui os seus olhos na descoberta da “menina”. Ao contrário de mim, ele nunca mais a largou.

Nos estúdios da então denominada TSF Alentejo, mais tarde Diana FM, passámos horas à conversa. “O Assunto é Futebol”. Ele era uma verdadeira enciclopédia futebolística. Ninguém me ensinou mais sobre futebol. O título desta crónica identificava as nossas gravações na rádio.


Bebemos copos. Falámos muito. Contou-me histórias. Sobre a carreira, curta, de futebolista no Brasil – não recordo o clube. Verdadeira estrela precocemente apagada por irreversível lesão num joelho. O primeiro dia em Évora, trazido pelo empresário, Cié, que homenageou no baptismo do primeiro filho. O primeiro contrato com o Lusitano…


Um largo interregno. Pensei num regresso definitivo ao Brasil. Esteve, afinal, nos Estados Unidos onde montou uma “clínica” sobre futebol.

E voltou de novo à Évora da sua paixão. Voltámos a cruzar-nos. Até há dois ou três anos. Talvez menos, não recordo.

Dele, lembro-me bem. Tez escura. Carapinha curta. Olhos brilhantes. Sempre brilhantes. Ternos. Mas de olhar matreiro! Sorriso amigo. Disparava palavras. Rápidas. Metralhadas. Com sotaque. Quase imperceptíveis.

As pernas arcadas davam-lhe o ar de estrela da bola.

Não há coincidências...

Manhã de sábado. Depois de uma semana em Lisboa, levanto-me cedo para respirar Alentejo. Parto para o campo. Inacreditavelmente, levo, debaixo do braço, uma bola de futebol. Há quatro anos que não jogo futebol. Só nos sonhos salto para o estádio e brinco com a bola. Este sábado é diferente. Passo a manhã sozinho. A jogar à bola. Sei lá porquê.

Dou toques. Simulo jogadas. Finto Canavaro. Dou baile a Cristiano. Marco um golo. Dois. “Hat-trick”. Sozinho. Eu sozinho… sou a equipa da vitória. Dos aplausos. Saio do estádio em ombros. A multidão grita. O meu nome ecoa pelo estádio imaginário.


Manhã de segunda feira. Na redacção procuro avidamente as novidades da terra. Instrumento de trabalho obrigatório, chego ao Notícias Alentejo. O choque: “Morreu Leonildo Vilanova”. Um olhar de espanto. Um esgar de dor. Pontapé fundo no estômago.

A notícia, crua, relata uma “doença prolongada”. Diz que morreu no sábado… no Brasil. Não consigo segurar as lágrimas.

Não há mesmo coincidências. Nunca acreditei nelas. Sei hoje, segunda-feira, que no sábado não joguei sozinho. Fiz o último jogo ao lado de Leonildo Vilanova.


Camarada: um dia, na rádio dos sonhos, voltaremos ao éter para fazer a jogada da vitória. Gostava de te ver, amigo… Saravá!